quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O corpo fala (3)

OUTROS MOVIMENTOS E GESTOS CORPORAIS - Podemos falar ainda: de ajoelhar-se, de prostrar-se, de sentar-se, de ficar de pé, como também de persignar-se, de traçar o sinal da cruz. Ainda falamos de genuflexão, do gesto sereno da vênia, este como reverência diante do Santíssimo e de autoridades eclesiásticas.

Atente-se pelo fato de a posição "de pé", na liturgia, ser a mais expressiva, por indicar prontidão e nos revelar a atitude de ressuscitados.

É como Cristo se mostra depois da ressurreição (Cf. Jo 20,14; 21,4; Ap 5,6).

O corpo fala (2)

OS OLHOS - Na leitura eucarística, principalmente, os olhos devem ver, enxergar, contemplar. Aqui o mistério é "visto". Daí, a atenção que se requer para os movimentos litúrgicos que se realizam no altar.





OS OUVIDOS - Na Liturgia da Palavra, nosso sentido auditivo é chamado a participar mais vivamente. Trata-se de ouvir, como no Antigo Testamento: "Ouve Israel...", a oração judaica mais preciosa (o Xemá judaico, no convite de Dt 6,4).



O corpo fala (1)

AS MÃOS - Que ora se erguem em louvor; ora se estendem em abertura e oferecimento; ora se elevam em súplica; ora se juntam em recolhimento; ora se abrem em oferta. Também se faz a imposição de mãos nas ordenações.





OS PÉS - Não só caminham nas procissões litúrgicas, em sentido simbólico de peregrinação, como também se prestam para o ritmo de danças. Na missa da Quinta-Feira Santa são lavados em memória do mandamento novo da última Ceia do Senhor com seus discípulos. Podemos pensar nos pés do Cristo Peregrino, nas estradas difíceis da Palestina, identificados com os nossos pés, na difícil caminhada de nossa vida.


Origem da Liturgia

Liturgia vem do grego (litourgia) que, em sua origem, indicava a obra, a ação ou a iniciativa assumida livremente por um particular (indivíduo ou família) em favor do povo, do bairro, da cidade, do Estado. Com o passar do tempo a mesma obra, ação, iniciativa, perdeu quer por institucionalização, quer por imposição o seu caráter livre e, assim, passou a ser chamado de liturgia qualquer trabalho que fosse um serviço mais ou menos obrigatório prestado ao Estado ou à divindade (serviço religioso) ou a um particular.

A Liturgia é ação (celebração) sagrada da Igreja, pela qual os fiéis glorificam a Deus e são santificados por ele, em Cristo, feita com palavras e sinais sensíveis. É uma reunião de pessoas pela fé em Jesus Cristo no Espírito Santo, povo sacerdotal, chamado por Deus a colaborar na salvação da humanidade.

Dons e Graça

Na convivência com as pessoas, percebemos que cada uma possui qualidades, dons próprios, característicos, e que, somando tudo, resulta uma riqueza imensa.

É o próprio Espírito de Deus que distribui a cada um(a) os seus dons, segundo seu consentimento: nem todos têm de fazer tudo, mas um(a) precisa fazer a sua parte. Os dons são tão diversos como são as pessoas.


Nos caminhos e descaminhos da vida, cada pessoa vai descobrindo suas possibilidades e capacidades pessoais. É preciso que cada um saiba ousar, mesmo encontrando dificuldades. Importa ter coragem, fincar o pé e buscar sempre. A busca pertence a cada pessoa e faz da história de fé para com Deus.

É claro que faz diferença!!!

A relevância da ação gestual ressuma na Bíblia. Deus ditou pormenores do culto a Ele devido. A liturgia cristã, com o esplendor de suas lustrosas cerimônias, educou e educa gerações. Foi recurso valioso empregado pelos missionários de todas as épocas. No Cenáculo, Cristo deu uma aula sobre o valor dos gestos.

O local escolhido, o cingir-se com uma toalha, o lava-pés, a entrega do Pão consagrado, o passar do Cálice, tudo revestido de simbolismo. Os cristãos compreenderam a lição do Mestre. Como, com rara felicidade, escreveu a célebre pedagoga Hélène Lubienska de Leval: “A liturgia foi o meio pedagógico soberano e escola de disciplina, o resumo da doutrina, o lugar de encontro das almas com Deus, a obra-prima da Igreja”.

A liturgia por sua natureza interna, é sacramental, sendo sempre sinal de uma efetiva presença de Cristo. A ação da Igreja é continuamente profética, anunciando as verdades também na ação litúrgica.